sexta-feira, abril 16, 2010

manifesto sobre liberdade artística e mecenato cultural

foto retirada de: multicom.org

Mecenato Cultural é quando alguém que tem dinheiro manifesta a sua crença na criação artística.
Investir em arte, encomendar trabalho a artistas revela que não só a comunidade artística mas também uma parte (endinheirada) da sociedade acredita que a arte vale a pena ser incentivada, pode transformar o mundo e torná-lo um sítio melhor. A outra parte da sociedade - o público ou as entidades parceiras - são eternamente cúmplices porque compõem as partes fundamentais do diálogo com a arte.
Assim, são antigas as relações entre artistas e quem apoia, financia parcialmente o seu trabalho. Também é ainda mais antiga a relação entre a arte e o público a quem se destina. E há histórias de todos os tipos. Shakespeare, por exemplo, era constantemente pressionado para que escrevesse teatro que agradasse ao público. Mas as concepções de "agrado ao público" que os mecenas tinham e as reais eram, muitas vezes, bastante diferentes. Rivera viu destruído um mural porque pintara uma verdade política e social, a arte incomodava, perturbava, acusava, não podia ser apoiada. Muitos mecenas apoiaram financeiramente obras de arte que os punham a eles próprios em causa, e isso apenas foi benéfico para esses mecenas que manifestaram, com certo humor, uma aceitação da crítica que é digna de pessoas mais capazes, mais à frente dos seus próprios tempos. O humor em Portugal conta vários episódios que vão desde a mais pura liberdade (artística, de expressão e de opinião) até à mais básica censura. Em tempos de ditadura e fora deles, histórias há muitas.
Uma história actual:
Porque acreditamos que a Arte é um bem comum e público que deve estar ao alcance de todos e todas, porque acreditamos que cada pessoa é portadora de capacidade criativa, sensibilidade estética e sentido de solidariedade e cooperação, acreditamos também na nossa própria capacidade criativa de, enquanto artistas ou cidadãs, nos manifestarmos pública e livremente no lugar onde escolhemos viver! Às vezes, algo tão simples, transforma-se numa batalha. Mesmo quando assim é, essa é uma batalha que consideramos valer sempre a pena travar.

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