sábado, fevereiro 14, 2009

Descalças firmam pegada nos Açores

Descalças cooperativa cultural
Balanço 2008

Como há um ano atrás, mais um texto para quem gosta de ler...

Na cultura, nem todos os números baixam! Os de público, de actividades e novas criações descalças... estão sempre a aumentar
"O caminho faz-se caminhando.
O nosso, Descalças – cooperativa cultural, faz-se palmilhando, com passos firmes, decididos e seguros rumo ao objectivo que desde o início traçámos: intervenção social e solidária e cooperação para o desenvolvimento através da cultura e da Arte.
"
Apenas quando cada ano chega ao fim, tomamos de facto os números nas mãos e ficamos um pouco mais felizes por sentir que valeu a pena. Se bem que os números não espelham a memória que guardamos de cada dia que vivemos, de cada pessoa que tocamos e que se deixa tocar, de cada vez que somos surpreendidas com a adesão, a crítica ou a alegria de mais uma pessoa espectadora, eles indicam pelo menos que o projecto tem crescido e que os objectivos que nos propomos são alcançados, ainda que exijam um esforço criativo cada vez maior de fazer face à falta de apoios à criação artística que temos sentido, bem como a uma certa incompreensão da dimensão social e cultural que gostaríamos de ocupar nesta região.
Em resumo, em 2008, Descalças apresentaram 50 actividades, sendo 19 criações deste mesmo ano. Resultaram 186 apresentações nas quais participaram 5021 pessoas (2530 crianças e jovens e 2623 pessoas adultas). Realizaram 49 espectáculos, 14 animações, 80 sessões de 6 oficinas de formação, participaram enquanto formandas em 12 formações, estabeleceram 2 co-produções, 6 parcerias e editaram 1 CD.
Para além das apresentações em São Miguel, onde a cooperativa está sediada, contam-se também apresentações efectuadas no Pico, Terceira, Graciosa e ainda em Lisboa, Porto e Coimbra.
Assim, os objectivos traçados para o ano transacto, criar espectáculos e oficinas de formação para um público cada vez mais vasto territorialmente, foram plenamente atingidos. De realçar também o facto de termos conseguido aumentar significativamente o número de público adulto tornando mais clara essa missão da cooperativa, que decorre paralela com a missão de trabalharmos para e com pessoas de todas as idades.
O ano de 2008 permitiu às Descalças consolidar o caminho trilhado e reconfirmado pelo estabelecimento de 6 parcerias e 2 co-produções, uma com o Teatro Micaelense e que deu origem à peça M. A Sede dos Outros e outra com a Pontilha – Associação Cultural que resultou na apresentação de O Jardim das Pessoas Futuras e na continuidade da Escola de Teatro “Era um Vez”, projecto no qual investimos enquanto cidadãs, formadoras e artistas, estabelecendo uma relação pedagógica com um grupo de crianças que criou um espectáculo, diríamos, ousado e original sobre os Direitos Humanos e os Prémios Nóbeis da Paz. A edição do CD Gent’ilesa, da descalça Teresa Gentil, vencedora do prémio Zeca Afonso (CMAlmada 2007), constituiu também um dos pontos altos da actividade desta cooperativa cultural no ano que terminou. De salientar ainda o Prémio LabJovem – Jovens Criadores (Açores) para a peça de teatro A Menina Azul e o êxito obtido com o ciclo de concertos Piano com Todos, no Teatro Micaelense, que levará à edição de um livro com CD, bem como à criação de um novo ciclo de concertos em 2009. Para além destas actividades, desenvolvemos parcerias com a Associação Cultural Corredor, com a Associação Artepalco, com a MEA – Mulheres Empresárias dos Açores, com a UMAR, etc. Outras parcerias, entretanto, foram surgindo pelo caminho e começaram a equilibrar-se para caminhar ao longo deste novo ano. É o caso da parceria com o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, com a Associação Açoriana de Educação pela Arte, com o Colégio de S. Francisco Xavier, entre outras.
Em suma, 2008 caracterizou-e não só pelo aumento de produção como também pelo aumento de público adulto, assim como o incremento da qualidade que exigimos ao nosso próprio trabalho e às novas criações, factor visível, não só pela forma como foram desenvolvidas, como pelas reacções do público e da crítica.
Este ano, foi para nós um ano em que desenvolvemos muito a nossa capacidade criativa de resistir com arte às dificuldades e aos obstáculos próprios de quem teima em fazer chegar a sua voz a um cada vez maior número de pessoas, enquanto espera sempre evoluir e crescer artisticamente.

2009
apenas um esboço de tudo o que esperamos desenvolver em apenas 365 dias... (ou serão mais?)

"A arte povoa-nos como um osso. Pergunta-nos demasiadas coisas. Faz-nos bem. Inquieta-nos. É por isso, e por outras coisas sem palavras, que cá estamos. Descalças, com a cabeça dos pés directamente sobre a terra, falando com as outras pessoas. Nos Açores escutando o mundo."
Em termos de projectos para 2009, e porque entendemos que a continuidade dos bons resultados se pautará pela continuidade da propagação da nossa Arte, Descalças – cooperativa cultural apostará nas seguintes vertentes fundamentais:
- Digressão dos espectáculos, edições e oficinas de formação já criados, onde assume especial relevo o projecto “Semear Gent'ilesa” que visa a concretização da digressão do concerto Gent'ilesa ao máximo possível de ilhas da Região, ao continente português e estrangeiro.
- Novas criações : Espectáculo Gojto de ti; Ciclo Piano Compositor@s e Edição do livro com Cd Piano com Todos – com Teatro Micaelense.
- Outro grande objectivo da Descalças cooperativa cultural para o corrente ano é conseguir um espaço próprio para o estabelecimento de sede / escritório que sirva também para a realização das nossas actividades. Sonhamos assim com a possibilidade de um espaço para criação e ensaios que nos permita também o estabelecimento de novas parcerias, espaço este que desejamos possa ser uma porta aberta à criação artistica e à programação cultural em São Miguel.
- A formação contínua das Descalças é outro dos pilares fundamentais da nossa actuação. Se em 2008 participamos em 12 acções de formação, num total de 233 horas, para 2009 esperamos obter formação cada vez mais específica nas nossas áreas de eleição por forma a que continuemos sempre a evoluir, nomeadamente ao nível da formação superior em Criatividade.
- Por último, e enquanto vamos caminhando sempre para a frente, importa-nos em 2009 conseguir uma maior consolidação da estrutura profissional que vimos mantendo, criando melhores condições laborais para as pessoas que connosco se têm envolvido, de maneira que o futuro da cooperativa esteja assegurado e seja promissoramente sorridente.

Totais descalços de 3 anos nos Açores
Iniciado em Tondela no ano de 2004, o projecto Descalças chegou aos Açores em Janeiro de 2006 e, desde então, para cá temos desenvolvido intensa actividade, actuando no âmbito da criação e edição de obras artísticas, produção, divulgação e formação, principalmente nas áreas da música, teatro e literatura.
Os números relativos às actividades desenvolvidas por esta cooperativa cultural nos últimos 3 anos espelham bem o intenso trabalho que tem sido desenvolvido. As actividades e criações originais ascendem a uma centena, traduzidas num total de 415 apresentações, das quais 110 correspondem a espectáculos, 93 a animações e 174 a oficinas de formação. As pessoas abrangidas pelas actividades por nós levadas a cabo contabilizam-se em 14 624, entre as quais 10 257 crianças e 4 367 pessoas adultas. A tudo isto acresce ainda, entre outras, a edição de dois Cd’s e de um livro com Cd.

1. Judite Fernandes, Maria Simões, Fátima Ramos e Teresa Gentil - foto Pedro 'o Bué' Cerqueira
2. Sara Seabra - foto Pedro 'o Bué' Cerqueira

3 comentários:

Vitor Marques disse...

O problema miúdas (posso, carinhosamente, tratar-vos assim?), é que vocês estão de uma forma demasiado séria nesta coisa de cultura.

descalças disse...

Amigo Vitor,
Obrigada pelo teu comentário.
Claro que podes sempre tratar-nos carinhosamente! e, dessa maneira, tratar-nos como quiseres! :)
Sabemos que também andas na cultura desta forma 'demasiado' séria. E demasiado não é um problema para nós! É uma maneira de ser! Esperamos que gostes do que vamos fazendo! Nós gostamos de por cá andar...
Um abraço

Val disse...

Não concordo com Vitor, pois temos que ser profissionais naquilo que abraçamos. Disciplina requer em qualquer área ou profissão. Beijos a todas!!!